quinta-feira, 31 de março de 2011

Mini-análise Filmes: Enterrado Vivo (Buried - 2010)


Título brasileiro: Enterrado Vivo
Título original: Buried
Ano: 2010
Gênero: Drama / Mistério / Suspense
Tipo: Filmes
Duração: 95 minutos (1:35)
Site do IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1462758/
Nota do IMDB:
7.2/10 (31000+ votos)

Cá estou eu em mais uma das minhas longas noites de insônia.

A razão de eu estar falando isso é que resolvi começar esse review de domingo para segunda, na exata hora de 3:17 da manhã. Isso não é bem um problema se não considerarmos que tenho que estar de pé as 5.

De certo que sou teimoso, mas resolvi ficar acordado após ter deitado as meia-noite e 15, tendo trabalho pra entregar no dia seguinte e, claro, não feito. Acabei não conseguindo dormir, não pela consciência pesada, mas sim porque tinha acordado tarde demais no domingo (11 da manhã) logo depois de uma noite que dormi bem. Não tem preguiçoso dorminhoco que consiga dormir treze horas depois, ainda mais ansioso porque lembra que deverá estar de pé as 5 do dia seguinte.

Ou da manhã seguinte antes que entendam que o "dia seguinte" é a terça-feira.

E olha que digo isso porque sou baiano, meu rei.

Travesseiro: "Nhac! Nhac! Venha dormir! Nhac!"

Mas vejamos o lado bom da história: o trabalho está pronto, yey!

...não sou tão irresponsável de além de madrugar, resolver fazer o review antes do trabalho. O que pensa de mim, ora essa?

Enfim, sei que vocês pouco importam que eu esteja com insônia, afinal, o que importa é trazer o review, não é? Então... aqui está ele.

**/me se arrepende de ter resolvido ficar acordado e se desespera porque há apenas 1h30m de sono caso queira dormir**

**/me desiste de dormir por motivos óbvios**

Meu Deus, o que foi que eu fiz?

Buried é um filmezito que meu primo (nevabowdown) me recomendou há um certo tempo atrás. Enrolei para assistir alegando que tinha muitas coisas para fazer na frente.

Bem óbvio que isso era uma grande mentira, mas a intenção não era de enganá-lo e sim me enganar.

Lembram do que eu falei em "Um Novo Planejamento" que não tinha razão certa para eu ficar meses sem postar no blog e fazia muuuuuuuuuuuuuuuito tempo que ficava impossibilitado por duas semanas consecutivas de fazer qualquer tipo de coisa internética? Então... o caso é o mesmo.

Depois da "La Revolucíon" em que passei a postar freneticamente como se tivessem substituído a minha "bateria", vocês devem estar pensando algo como "Maldito Igor. Mal consigo ler suas postagens". Bem, também com a revolução comecei a "andar a fila" de tudo que estava pendente, mas ainda sem ordem definida e com isso finalmente assisti Buried.

Meu Deus! Não consigo controlar minhas mãos! Digitar! Digitarrrr!!

Ahh, como fico aliviado de chegar no ponto que quero em meus posts...

...

...não era para vocês terem lido isso, relevem.

Bem, Buried é um filme lançado no ano passado, que estrelava Ryan Reynolds. Você lembra dele.

Não? E quando eu falo "O Dono da Festa" (Van Wilder)? Lembra agora?

Mas é CLARO que você conhece Van Wilder!

Rá!

Todas as pessoas passam pelo velho processo de amadurecimento e RR não poderia ficar fazendo filmes de adulto-revoltado-que-não-quer-se-formar-porque-adora-a-faculdade o tempo todo, não é mesmo?

Porém o que chama a atenção de verdade, não é que ele seja o ator principal e sim que ele é o único ator de toda a película.

Vamos lá. Pergunte. Sei que está curioso.

"..."

Don't be shy...

"Er..."

Hum?

"OK, OK. Como assim Ryan Reynolds é o único ator de todo o filme?"

Good point, Marine.

Ele é o único ator de todo o filme por uma simples razão: o único local em que toda a história é contada é dentro de um caixão.

"What the fuck? Where the hell am I?"

Oh!

Basicamente Paul Conroy (nome do protagonista) é enterrado vivo, acorda suando bastante e com falta de ar. Ele dispõe somente de um isqueiro e com tal isqueiro, ilumina um pouco o ambiente para tentar sair de lá de dentro. Óbvio que isso é impossível, já que ele está abaixo de pelo menos longos 20m de terra.

Tudo parece perdido após este ter feito o maior esforço e agido de forma burra, perdendo mais ar ainda, quando algo começa a vibrar desesperadamente em algum lugar do caixão.

Um celular!

Tão desesperadamente quanto a vibração, ele tenta atender o celular, mas é tarde demais. Já havia cessado a cota de "ring-rings". Não havia problema, afinal bastava ver as ligações perdidas.

Que diabos de símbolos são esses?

Se ele não estivesse em árabe.

Bom, números são números em qualquer idioma, então tal celular seria útil para outras ligações que, teoricamente, pode salvá-lo da irônica morte dentro de seu próprio caixão. Como ele é uma pessoa inteligente, é exatamente isso que ele pretende fazer.

O filme se foca justamente nessa tentativa de sua fuga, aumentando o suspense pelo fato de que a cada segundo que se passa ele está com menos ar.

Boring, não? Pois é, foi justamente o que eu pensei. Mas eu estava redondamente enganado.

...

Nem me venha com a piadinha de "redondamente você sempre esteve", seu troll. Eu irei emagrecer! Vivam e verão!

MWAHUAHUAHUAHUAHUA!

HUAHUAHUA!

HAHA...

...

"Alô, mãe? Estou ligando pra dizer que estou enterrado vivo."

ENFIM, o que Buried realmente se destaca, é justamente o fato de ser melhor do que suspostamente é. Para ser melhor do que supostamente é, o filme conta com vários acertos.

Ryan Reynolds amadureceu bastante e, mesmo com a mesma cara de adulto-que-ainda-parece-adolescente-e-tem-a-cara-de-veterano-mais-velho-da-faculdade, mostra que Van Wilder, mesmo sendo o seu maior destaque até então, representa apenas um jovem e esquecível momento de sua carreira.

Eu gosto de "Van Wilder" e você provavelmente também, principalmente se assistiu tal filme no meio de sua adolescência, mas RR podia ser qualquer coisa naquele filme, menos maduro.

Outro grande acerto conta justamente com a sua atuação. Em nenhum momento ele parece lembrar que aquilo é somente uma filmagem e demonstra uma convincente tensão o tempo inteiro. É do tipo: "nunca fui enterrado, não queria e depois desse filme virou meu maior terror". Digo, é REALMENTE tensa a sua situação, tão tensa que o pensamento mesquinho de "antes ele do que eu" será inevitável.

Malditas operadoras de baixa qualidade! Porra!

O enredo é bastante criativo e arriscado. O "arriscado" é facilmente explicável quando lembramos que o único lugar de gravação é o próprio caixão. Não existe uma visão de fora em nenhum momento, sendo limitado ao espectador a visão do protagonista. A vantagem disso está somente em uma coisa: nós sofremos, alegramos e nos identificamos com ele. Não serão poucos os momentos que você, como espectador, soltará algo como "É sério?", "Tá de brincadeira comigo!" ou "Agora vai!".

O que socialmente falando te deixa mais maluco ainda, pois você não está falando somente sozinho e sim com algo que já foi gravado anos atrás. Façam que nem eu: não se importem com o que outros falam. Seja um "maluco" feliz!

Não acho que eles te ouvirão apenas com você escrevendo.

Maluco também é como fica Paul ao decorrer do filme.

Não sei como seria ser enterrado vivo, mas me parece uma situação que teria grandes chances de me causar alucinações e desesperos.

Imagine que seu ar vai terminar em breve, que ninguém pode lhe ajudar por não saber exatamente onde você está (excetuando quem lhe enterrou) e que, além disso tudo, você está em um caixão vagabundo que pode quebrar a qualquer momento pelo seu material de quarta categoria. Se quebrar, a terra vai entrar e se a terra vai entrar, ocorre a dupla ironia de você ser enterrado duas vezes.

Buried ilustra bem isso, começando apenas pelo desespero, de busca por ajuda, partindo logo após para a desistência de viver e em seguida acontecendo coisas que você se pergunta: "Perae, isso realmente está acontecendo?". No meio dessa última coisa, ocorre simulações de final feliz, em que ficamos alegres pelo o que está acontecendo até que tudo volta para onde estava novamente e mostra como a vida é uma prostituta sádica que lhe passa HIV no seu primeiro descuido.

Ou come o seu rabo com um vibrador. Sei lá, nem imagino qual seja o pior.

Tal "simulação de final feliz" ocorre em "JCVD" e se vocês leram, lembram do que eu acho de tais cenas.

Paranóia > ALL!

Toda cena feliz deve ser acompanhada de um brilho ofuscante.

Apesar de ser arriscado, a verdade é que "Buried" não tinha muito a perder.

Como assim? Bem, imaginem que o filme se passa somente dentro de um pedaço de madeira. Imaginem também que só há um ator e o máximo que você vai ouvir de outras pessoas serão suas vozes e dubladores ganham menos que atores, isso é um fato. Também imaginem que tudo o que o pessoal de maquiagem precisou fazer foram pequenas feridas no seu rosto e os efeitos especiais são relativamente raros e por ultimo, mas não menos importante, imaginem que todo o tratamento sonoro, ABSURDAMENTE necessário em filmes que se passam em diversos ambientes (principalmente se nesses "diversos ambientes" houverem muitos abertos) foi quase que opcional aqui.

Sabendo disso tudo, agora me diga: foi um filme caro ou foi barato? A resposta parece ser bem lógica, não é? Pois é.

Mas a maior arriscada disso tudo foi dar um drama para Ryan Reynolds ser o único ator. Não que ele não saiba atuar, mas imaginem a pressão posta para ele, algo do tipo: "Você pode salvar ou afundar nosso filme. Nós dependemos exclusivamente de você." e é justamente por isso que eu posso dizer sem medo que houve um grande amadurecimento de sua parte aqui. Pode até parecer simples, mas quando em uma obra você se identifica com a pessoa que os criadores QUEREM que realmente haja uma identificação, é quase como uma questão de prova escrita 100% correta.

Shibalalomalah Techaco Tomalah? Yes or No?

Buried também é uma CLARA crítica a permanência americana no Iraque, local de onde se passa o filme. Mostra que os americanos tem tanto controle daquilo ali quanto uma criança de 2 anos sabe usar um computador e, o pior de tudo, eles SABEM disso, mas preferem insistir, arriscando a vida de pessoas que nada tem a ver com os interesses megalomaníacos do ex-presidente George W. Bush e não merecem sofrer com isso.

Se sua opinião é contrária ao que acabei de falar, reclame com os criadores! Só estou deixando clara a mensagem que entendi do filme.

Mark White. Ah se todo branco fosse assim!
...horrível. MEU DEEEUSSSS!!!


Mas ainda há uma coisa: o final.

Se no filme há grande suspense em geral, tal final pega isso e multiplica por 2, aumentando ainda mais nossa emoção pelo que estamos assistindo.

Suspense não é o suficiente? Pois bem, o próprio final em si é chocante, surpreendente e inesperado.

Tenho uma leve impressão que soltei uma palavra e duas redundâncias, mas tudo bem. Mostram o nível que quis passar.

Aleluia! Um filme que não existe só o código de área 555!

Mas, that's it.

Apesar de toda a criatividade, "Buried" é um filme bastante simples e não utiliza nada inovador (excetuando a arriscada de passar todo o tempo dentro de um caixão), tornando assim relativamente impossível de falar muito sobre ele "analisamente" falando.

Eu posso aumentar o post se eu começar aquela minha velha narração entupida de spoilers até o final! Posso? Posso?

...

Ah, não? Posso contar pelo menos o final?

...

Hunf. Tá bom. Seu bobo e feio.

Minha recomendação é para todos que gostam de um suspense de qualidade e com críticas subliminares (ou não) no enredo.

Entendam como "suspense de qualidade" 99% dos filmes que NÃO deram a cara em Supercine.

Você também é boba e feia, Globo!


**Música depressiva no fundo**

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Estou sem ideias pra domingo e sei que por isso deveria ter dado um jeito de aumentar esse post e deixar, pelo menos por essa semana, o post facultativo pra lá.

Mas ideias surgem de formas inesperadas, então colocarei tudo em jogo provando que consigo arrumar tais ideias até lá.

Ou não.

Há uma coisa que me deixou feliz nesse mês: simplesmente bati o record de posts em um mês só e pretendo continuar assim! Sei que quantidade não é qualidade, mas a qualidade eu tento o máximo possível e recebi até comentários como "esse foi o melhor review daqui" esse mês. Acho que posso morrer feliz...

...

Não era o momento pra usar essa frase. Tirou toda a fodasticidade dela. God damn it!

Bem, vejo vocês no domingão para estreiar abril com mais um post gigante que peço pra todo mundo ler mesmo contra a vontade!

o/

5 comentários:

Anônimo disse...

YES! Review de "Buried" tao bom quanto o filme!! Sem brincadeira...Seus reviews tao ficando cada vez melhores. Quem sabe uma carreira esteja se desvendando!!!

Tenho que descordar com relacao ao fato de vc achar que o filme seja bastante simples. Na minha opiniao ele eh muito bem atuado, com bastante suspense, ritmo aluscinante, basicamente uma "caixinha" cheia de surpresas! Sem falar na utilizacao do tema atual de guerra e da crise economica. Apesar que ele nao foi "layed-off" e sim demitido. (Nos bem sabemos a sensacao). Mas ser demitido no processo de ser enterrado vivo eh fodas!
De qualquer forma vc foi bem gentil e deu uma nota ate alta. Cheers por isso!!

Tamos a espera do proximo review!

FFUUUUUuuuuuuiiiii!!

prazer

Yäan disse...

Oloco! O que foi aquele final? Fiquei total WTF =O

AJIAIJIAJI

Mto bom o review, ManolIgor! Curti demais o filme eahhuehu

Prosinecki disse...

Porra, vou assistir esse filme só pra saber o que acontece no final, e pra saber se realmente é possível se fazer um filme não boring qse passando em um local apenas, com um ator e nada mais.

P.S.: ManolIgor é eterno AEUHAEUAEUAEHUAEUAE

Yäan disse...

HIIHOAEHIOAE

Vai ficar de WTF tbm com o final, Prosinecki-dude! xD

Alexandro disse...

Muito boa a composição de sua review, gsotei bastante.
O legal do filme é que isso ocorre de verdades em muitos casos, relatos de peritos, que ao exumar corpos, notam que tem marcas de unhas na tampa do caixão, uma forma frustrada de tentar viver.
Espero que consiga dormir bem e que poste mais reviews legais.
Um filme legal que vi com minha filha foi o Familia do Futuro.
Tem uma mensagem muito boa no filme.Gostaria de uma review sobre ele.
Abraço, Alexandro.